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As Teorias sobre a Felicidade

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Diferentes concepções de felicidade foram desenvolvidas até hoje. Da Grécia antiga herdamos tradições hedonistas e eudemonistas. No primeiro, o prazer é o objetivo de uma vida feliz. No segundo, a felicidade também está na cultura das virtudes e na auto-realização.

Psicólogos desenvolveram diferentes conceitos para melhor compreender a felicidade: bem-estar subjetivo, bem-estar psicológico, bem-estar social, felicidade autêntica …

O bem-estar subjetivo é a avaliação que se pode fazer da vida de alguém. O bem-estar subjetivo pode ser decomposto em três dimensões: afetos positivos, afetos negativos e satisfação consigo mesmo. As duas primeiras dimensões são emocionais, a terceira é cognitiva, isto é, representa todos os julgamentos, idéias, avaliações que podem ser realizadas sobre si mesmo.

O bem-estar psicológico é composto por auto-aceitação, crescimento pessoal, relações positivas com os outros, autonomia, significado à vida e controle do ambiente.

O bem-estar social é composto de aceitação social, realização social, contribuição social, coerência social e integração social.

A “felicidade genuína” de Seligman é realizada através de uma vida agradável, uma vida boa e uma vida significativa. A boa vida é uma vida na qual a força do caráter é usada em áreas importantes da vida.

As Teorias sobre a Felicidade

As Teorias sobre a Felicidade

Métodos para medir a felicidade na Psicologia Positiva

Segundo a Psicologia Positiva a Felicidade pode ser medida. Existem vários métodos para isso, cada um com suas vantagens e limitações. Esses métodos incluem escalas de autoavaliação, DRM e ESM.

As Escalas de auto-avaliação consistem em questionários. Estes questionários podem ser muito curtos, uma pergunta, por exemplo “Quão feliz você está? “. Pede-se à pessoa que vai responder que avalie numa escala de 1 a 7 ou de 1 a 10, com 7 ou 10 representando em cada uma das escalas a maior felicidade expressa.

O questionário pode ser muito mais longo. Podemos medir mais do que um nível de felicidade, seus componentes, a fim de ter o perfil de felicidade da pessoa. Escalas de autoavaliação são o método mais utilizado.

O DRM ou Método de Reconstrução do Dia funciona da seguinte maneira: peça aos participantes para dizer ao final do dia quais foram as suas atividades durante o dia, descrevendo em que ponto eles foram felizes para cada atividade e quanto cada atividade durou.

O ESM ou Método de Experiência Simples, envolve pedir aos participantes que deem suas impressões em momentos aleatórios.

Esses três métodos fornecem dados subjetivos. Mas eles têm limitações: sensibilidade à desejabilidade social e tendências cognitivas variáveis ​​de acordo com os métodos.

Há um pressuposto de que os dados subjetivos são inferiores aos dados objetivos, o que é uma suposição falsa.

Primeiro, não há medida biológica de felicidade hoje. Os estudos simplesmente mostram correlações, especialmente entre a ativação frontal cerebral esquerda e aspectos positivos.

Em segundo lugar, as teorias que identificam a felicidade com propriedade listam como auxiliares da felicidade, coisas como conforto material, saúde, amigos, etc., que não contribuem em nada sobre o que é a natureza da felicidade.

Em terceiro lugar, os chamados dados objetivos também têm limitações. Isso é verdade tanto no PIB quanto na taxa de inflação.

Em quarto lugar, as características psicológicas são a melhor medida de seu nível de significado.

A felicidade é um estado subjetivo consciente, e a melhor maneira de medi-lo é a consciência.

As Teorias da Felicidade
As Teorias da Felicidade

Os componentes da felicidade

A felicidade como bem-estar subjetivo é a definição mais utilizada nas pesquisas em psicologia positiva.

O Bem-estar subjetivo tem de duas a quatro dimensões, de acordo com os pesquisadores. Quando está associado a duas dimensões, essas dimensões são as dimensões emocional e cognitiva.

A dimensão emocional é muitas vezes dividida em duas dimensões: os afetos positivos, que é uma questão de aumentar, e os afetos negativos, que é uma questão de limitação. A dimensão cognitiva, isto é, todas as avaliações e julgamentos que a pessoa leva sobre a vida é, às vezes, dividida em duas dimensões: a satisfação global e as satisfações específicas. Na maioria das vezes, a dimensão cognitiva é identificada com satisfação geral.

Afetos positivos são de vários tipos: há prazeres, emoções positivas e afetividade positiva.

Epicuro distinguiu os prazeres do corpo e os do espírito. Outra classificação distingue prazeres sensoriais, prazeres estéticos e prazeres de realização.

Em termos de emoções positivas, a psicóloga Barbara Fredrickson (1998) acredita que elas ampliam o alcance de nossos pensamentos e ações e, assim, constroem recursos pessoais novos e sustentáveis. Isso é o que ela chamou de “teoria de ampliação e construção”.

As emoções positivas também têm uma função motivacional. O que diferencia a afetividade das emoções é que a afetividade é uma característica enquanto as emoções são estados.

A satisfação depende de fatores objetivos, mas os fatores internos são tão importantes quanto, se não mais importantes. Estado emocional desempenha na satisfação. Outros fatores, como comparação social, enfrentamento, otimismo, ilusões positivas ou o significado dado à vida, também exercem a satisfação. Vamos ter otimismo. Pessoas otimistas são mais felizes. Vivem em particular menos momentos de angústia após um evento negativo.

Causas e conseqüências da felicidade

Os traços de personalidade que estão mais fortemente correlacionados com a felicidade são extroversão, neuroticismo, autoestima e otimismo. Ao contrário das outras três características, o neuroticismo é negativamente correlacionado. A extroversão é caracterizada pela busca de contatos sociais e novas situações. Os extrovertidos têm habilidades sociais mais desenvolvidas do que os introvertidos. O neuroticismo é marcado pela instabilidade emocional e pela tendência a experimentar emoções negativas. A auto-estima é definida por quatro componentes: auto-aceitação, avaliação, comparação e efetividade. O otimismo é o caminho positivo para entender o futuro, mesmo quando parece difícil.

Amor e casamento estão fortemente ligados à felicidade. Ao mesmo tempo, deve-se notar que o casamento é também a fonte mais forte de conflito. Para as crianças, a felicidade dos pais depende da idade. Quando as crianças são pequenas ou adolescentes, este é o momento mais difícil para a felicidade dos pais.

A relação entre felicidade e idade é fraca, mas parece que a felicidade aumenta com a idade. As aspirações decrescentes, o crescente domínio do ambiente, uma orientação para a satisfação do que foi feito, e não para a realização, são ideias explicativas desse fenômeno.

O trabalho é uma fonte de felicidade. Algumas pessoas, voluntários, concordam em trabalhar sem remuneração. Os desempregados são muito menos felizes do que aqueles com um emprego. O lazer também é uma fonte de felicidade. Eles podem ajudar a atender às necessidades sociais, usar conhecimentos e habilidades, podem trazer relaxamento ou excitação ou motivação intrínseca.

Do ponto de vista cultural, parece que as pessoas que vivem em culturas individualistas são mais felizes do que as pessoas que vivem em culturas coletivas. Mas isso deve ser muito bem nuançado: as primeiras culturas coletivas exigem um maior sacrifício de necessidades e desejos particulares, então elas promovem o desenvolvimento de qualidades que podem limitar a felicidade.

As pessoas felizes se saem melhor em muitas áreas: casamento, amizade e relações sociais, trabalho, renda, saúde física e mental, expectativa de vida. Eles também têm melhores habilidades de enfrentamento.

Como Melhorar a felicidade

Sonja Lyubomirsky considera que a felicidade pode ser determinada da seguinte forma:

felicidade = ponto fixo (50%) + circunstâncias da vida (10%) + investimento pessoal (40%)

O ponto fixo refere-se à influência genética estimada por meio de herdabilidade, uma noção estatística e não biológica. Nossa felicidade estaria sob nossa influência pessoal em 40%, o que é muito quando sabemos que não necessariamente fazemos esforços para melhorá-la.

O que melhora sua felicidade? Cada pessoa é única, mas certas direções voltam insistentemente: para se dar objetivos auto-consistentes, isto é, de acordo com seus valores; experimentar mais eventos positivos, sabendo que muitos eventos positivos são programáveis; fazer o bem, especialmente mostrando gratidão; ser sociável.

A história da felicidade

Após a II Guerra Mundial, as perturbações mentais concentraram as atenções dos psicólogos, mobilizando-os no sentido da recuperação e do tratamento de patologias e déficits, sob uma concepção pessimista preocupada com o sofrimento e a disfuncionalidade. Apesar de as suas intenções serem meritórias – aliviar a enorme carga de infelicidade que daí decorria – a ciência psicológica esqueceu, contudo, uma parte da sua importante missão, ao deixar a descoberto uma importante faixa da experiência humana (Marujo, Neto & Caetano, 2007; Seligman &
Csikszenmhialyi, 2000).

A introdução de um espaço significativo aos aspectos positivos da vida que permitem lidar com a adversidade – que em algum momento a todos pode atingir – tardou em fazer-se anunciar, pois foi só no final do século XX que as posições de alguns percursores conseguiram finalmente afirmar-se. Não é de estranhar que não fosse fácil romper com o posicionamento terapêutico face à perturbação mental que caracterizou a nossa época, para o qual muito contribuiu a hegemonia dos modelos médicos, privilegiados em resultado das assinaláveis conquistas no tratamento de situações gravíssimas que antes obrigavam à erradicação do indivíduo da família e da sua comunidade de origem, como era o caso de muitas psicoses, em cujo tratamento é indesmentível o
papel dos avanços da psicofarmacologia na libertação da situação asilar de isolamento que até então se afigurava, nalguns casos, como inevitável (Rosen, 1968; Le Goff, 1997).

Com efeito, é importante situar a emergência desta nova tendência no seu enquadramento histórico e social, pois que o modo como, a partir daí, encaramos a singularidade do psiquismo humano – e com referência ao qual construímos um certo discurso científico nesse domínio – é indissociável da sua contextualização numa certa época e num determinado lugar.

De fato, estes parâmetros vão condicionar não só a forma como entendemos a disfuncionalidade de quem se desviou da normalidade, mas também a própria atuação dos agentes envolvidos na sua respetiva recondução. Na verdade, não existem posicionamentos científicos desligados da realidade concreta a que se reportam, dada a multiplicidade de fatores que influenciam inevitavelmente o nosso olhar sobre o percurso pessoal que não decorreu da melhor maneira e sobre a intervenção profissional levada a cabo para gerir o consequente sofrimento psicológico individual.

Além disso, as próprias representações sobre o papel social do psicólogo, enquanto alguém que ajuda a minorar o sofrimento de outrem, vai buscar à sociedade em que ambos se inserem – doente e terapeuta – numerosos pontos de referência, condicionando, por seu turno, os modos usuais de intervir e as respetivas interpretações, bem como a apreciação crítica da validade ou a ilegitimidade das opções que são tomadas (Foucault, 1978).

Efetivamente, a atuação dos cientistas nunca é neutra, sendo norteada e influenciada por múltiplos condicionalismos, quer sejam inerentes a um certo paradigma organizador ou à simples perspectiva a partir de uma ou outra corrente teórica em psicologia que se decidiu privilegiar, através dos quais lhes torna então possível configurar certos modos de abordagem sobre a realidade humana em termos psicoterapêuticos.

Note-se que dois outros aspetos confluíram para abalar as antigas seguranças dos modelos conceptuais psicopatológicos, cedendo espaço para um novo olhar da psicologia positiva neste campo.

Por um lado, o caráter apenas paliativo da maior parte das intervenções destinadas a aliviar a perturbação mental pois que, como ressalta da pesquisa sobre o tema, a intervenção terapêutica não os consegue realmente “curar”,
cessando em geral as melhorias logo que esta é interrompida.

À pouca durabilidade dos efeitos benéficos obtidos, acresce ainda a relativa inespecificidade da generalidade das orientações terapêuticas, uma vez que é ainda difícil associar com segurança um eventual êxito conseguido à adoção de uma determinada opção ou procedimento terapêutico (Seligman, 2012; Seligman & Csikszentmihalyi, 2000).

Tudo isto abriu caminho à contestação da fecundidade desta via epistemológica predominante em psicologia, demasiado centrada no patológico, permitindo o reconhecimento progressivo de que o bom e o excelente são também dignos da atenção, sendo suscetíveis de avaliação todos os aspetos que caracterizam as pessoas no seu melhor, tornando importante compreender como isto sucede e em que circunstâncias pode ser incentivado. Foi assim que tópicos como a felicidade, o otimismo, a fé, a esperança e a criatividade passaram a ser parte integrante
de livros e artigos científicos, deslocando o foco exclusivo da psicopatologia para forças e virtudes, na expectativa de que, ao debruçarmo-nos sobre as emoções positivas que fazem com que a vida valha a pena ser vivida, se introduziria uma outra inteligibilidade no tornar-se pessoa (Marujo, Neto & Caetano, 2007; Neto, Barros & Barros,
1990; Nunes, 2008; Paludo & Koler, 2007; Yunes, 2003).

Outras perplexidades da aplicação dos modelos conceituais sobre a doença mental podem ter aberto igualmente caminho para a psicologia positiva se consolidar.

Entre elas destacam-se os efeitos inesperados do tratamento que visava prioritariamente a supressão dos sintomas e a erradicação da constelação de características fora do “normal” que afirmavam a disfuncionalidade do sujeito e das quais a psicologia se propunha “libertá-lo”.

Ora, constatou-se, com alguma surpresa, que por si só não se concretizavam com isso as expectativas de se obter um jeito livre das suas perturbações e inundado de felicidade. Pelo contrário, os psicólogos não raramente se deparavam com alguém que, apesar de “curado” e isento dos sintomas desagradáveis que antes o afligiam,
surgia como que descaracterizado, incompreensivelmente vazio, apático ou embotado, aparentemente menos dono do seu próprio destino e longe de usufruir de tudo o que torna a digna de ser vivida do que quando se debatia com a perturbação mental, mergulhado na anomia (Barros, 2010; Seligman, 2012).

Quanto à história da felicidade, duas histórias podem ser distinguidas: a história do conceito de felicidade e a história da felicidade das pessoas do passado.

A felicidade nem sempre foi central nas representações. Na antiguidade grega, diferentes definições de felicidade são desenvolvidas: felicidade hedonista e felicidade eudemonista em particular.

O fato é que a felicidade, no que é mais alto, está associada aos deuses. A felicidade tem uma dimensão divina. Essa ideia é então encontrada entre os romanos. Com o cristianismo, a felicidade perde sua importância. O que é essencial para os cristãos é a salvação da alma.

Já para Voltaire, a felicidade das pessoas comuns é de pouco interesse. Ele considera que elas não têm tempo para pensar sobre isso por causa do trabalho que têm que fazer e que essa desigualdade é necessária para o funcionamento da sociedade.

Hoje, a felicidade é considerada essencial, com razão, porque a felicidade é o testemunho de um funcionamento psicológico muito bom.

As pessoas do passado eram felizes? As condições de vida eram muito mais complicadas do que hoje. No entanto, a psicologia da felicidade nos ensina que não devemos deduzir a felicidade apenas a partir das condições de vida.

A felicidade pode ser decomposta em três dimensões: a ausência de afetos negativos, afetos positivos e satisfação.

Estudos históricos têm pouco interesse na felicidade de pessoas do passado. Mesmo se isso se tornasse um tema central para os historiadores, os problemas metodológicos seriam significativos.

Os historiadores têm apenas as fontes deixadas pelo passado, e as fontes sobre a intimidade das pessoas são raras e dizem respeito apenas a uma pequena margem de pessoas que viveram.

Algumas ideias podem, no entanto, ser avançadas para dar uma ideia menos vaga do que poderia ser uma história de felicidade. Assim, em termos de afetos negativos, alguns estavam mais presentes do que hoje. Por exemplo, em média, as mulheres tinham apenas dois filhos, destes, apenas um chegaria à idade adulta. Mas a frequência da morte de crianças não limitou a dor sentida pelas mães.

A precariedade era muito mais forte. Nas ruas de Paris, quando as autoridades atacavam um mendigo, era comum que fosse defendido pelos transeuntes, porque se sentiam bem que não era necessário muito que se tornassem o que mendigo. Ao mesmo tempo, em termos de afetos positivos, a sociabilidade é mais forte e a religião fornece uma estrutura protetora para as dificuldades no viver.

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